Templates da Lua

Créditos

Templates da Lua - templates para blogs
Essa página é hospedada no Blogger. A sua não é?

Mostrando postagens com marcador Caroline Beatriz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caroline Beatriz. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de novembro de 2009

HIERARQUIA ORIENTAL







No sistema chinês de trabalho, só é possível implantar uma ideia após convencer o chefe de que ele é o coautor
Imagine o mais arrojado conjunto de arranha-céus do planeta. Agora pense em uma vila de pescadores onde as pessoas pescam o próprio jantar. Apesar de parecerem mundos opostos, essas duas realidades se fundem na paisagem de Hong Kong. Bem-vindo à China!
Considerando que me mudaria para um lugar tão diferente, antes de aterrissar no país li vários livros sobre a cultura e a história chinesas. Também fiz um curso de aculturamento com um americano que viveu mais de 35 anos no país. Essa lição de casa foi fundamental. Fiquei muito mais preparado para lidar com situações de rotina e interpretar as reações das pessoas.
Logo de cara, a alimentação chinesa foi um forte sinal da necessidade de me adaptar a novos costumes. Para demonstrar abertura e simpatia aos novos companheiros de trabalho, logo no primeiro jantar comi inúmeros pés de galinha, língua de pato e outras especialidades que achei melhor não perguntar o que eram. E descobri que água-viva é um alimento duro de comer. Consola saber que faz bem para as articulações.
Numa das primeiras viagens para o interior, vivenciei situações inusitadas. Num vilarejo ao norte, onde carne de cachorro é parte das iguarias regionais, percebi que um grupo de crianças me olhava com atenção e ria muito. Uma delas se aproximou e se arriscou a me tocar, falando alguma coisa que obviamente não entendi. Mas me senti um astro de Hollywood. Perguntei ao meu colega, um chinês fluente em inglês, o que ela tinha dito. Para minha decepção, as crianças estavam se contorcendo de rir porque me achavam muito feio. Nas inúmeras viagens que fiz ao interior, essa era a reação de muitas pessoas, porque é difícil para elas verem pessoas com traços ocidentais, até mesmo na TV.
Entrar na cultura chinesa e conseguir agir conforme a sua lógica própria é a diferença entre o sucesso e o fracasso dentro de uma empresa. A hierarquia é o pretinho básico do sistema de trabalho, uma vez que a cultura chinesa é bastante patriarcal. Para implementar nova práticas, por exemplo, é necessário conquistar as pessoas de alta credibilidade na organização e envolvê-las, para que achem que também foram autoras da ideia. Também é preciso ter muito tato na hora de sugerir mudanças. Os comentários devem ser relacionados às boas práticas já existentes, para depois questionar sobre o que acham que deve ser mudado. Aí conquista-se o direito de propor algo. Esse tipo de diplomacia é essencial para não gerar uma situação ruim dentro da empresa- muito pior do que ter de comer pé de galinha.

Fonte: Época Negócios, artigo de André Cordeiro- Out/2009.
Postado por Caroline Beatriz.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

NOVA ECONOMIA?

Se, após todo o passeio pelo debate agora travado por pensadores de variadas disciplinas, chegamos à conclusão de que há de errado com a teoria econômica convencional é a ideia de que invariavelmente fazemos escolhas racionais, então temos um problema. Que cara pode ter uma “nova economia” baseada em traços psicológicos inconstantes por definição? Que mudanças esperar nos planos teórico e prático?
“Acho que modelos com informação imperfeita, que trabalham com racionalidade limitada vão se destacar”, afirmou Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, a Época Negócios. Professor de teoria econômica na Universidade Columbia e ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Stiglitz busca inspirações até na engenharia eletrônica de rede. “Nesses sistemas integrados, qualquer aumento de força em um ponto pode derrubar todo o sistema. A matemática que a maioria dos economistas usa nunca poderia aceitar esse tipo de evento. Mas quando você olha para a crise atual, vê que um problema em uma parte do sistema contamina todo ele.”
Em termos práticos, é provável que o diagnóstico comece com a troca de termômetro. Índices de confiança do consumidor, como o divulgado mensalmente pela Universidade de Michigan, tendem a ganhar espaço na formulação de políticas econômicas. Não por acaso, este indicador foi idealizado por um psicólogo, George Katona. Índices consagrados pelo uso, como os preços ao consumidor, continuarão relevantes- mas é provável que não se construam mais modelos rígidos a partir deles. Como o regime de metas de inflação, bem conhecido dos brasileiros.
Investidores também terão de ser melhor compreendidos- e melhor informados- pelo mercado financeiro. Isso pressupõe reguladores mais paternalistas, que entendam que somos propensos a errar, e firmas de investimento mais transparentes. “Hoje em dia, serviços de assessoria em assuntos financeiros são oferecidos apenas por pessoas interessadas em vender produtos financeiros específicos. Corretores de ações e corretores de imóveis são recompensados por fazer recomendações que nem sempre são adequadas para as pessoas”, afirma Robert Shiller. “Minha sugestão é que o governo subsidie esse tipo de serviço, para estimular o nascimento de uma indústria de assessores financeiros que sejam desinteressados e deem segurança às pessoas.”
Este talvez seja o ponto central de toda esta discussão. “Nós agora entendemos que é preciso ter um papel para o governo”, diz Stiglitz. “Mas temos de saber que o papel é este.” Psicólogos e neurocientistas se apresentam para ajudar.

Fonte: Época Negócios- out/2009.
Postado por Caroline Beatriz.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


ORTODOXIA PRESERVADA
E os governos, o que podem fazer com o debate sobre a “nova economia”? Não espere mudanças bruscas nas políticas econômicas consagradas. “O mainstream ainda está preservado porque a heterodoxia não está devidamente formulada”, diz Márcio Holland, professor de economia da FGV. Por ora, não há o que pôr no lugar dos modelos econométricos. “Alterar ou abandonar a metas de inflação teria como resultado um enorme estrago na credibilidade que os bancos centrais levaram décadas para estabelecer. É, portanto, altamente improvável”, afirmou a revista britânica The Economist.
Isso não quer dizer que nada mudará. Pelo menos um economista comportamental tem função importante no governo Obama. Cass Sunstein, coautor de Nudge, trabalha na Casa Branca, encarregado dos projetos de regulamentação do governo- incluindo a financeira. Está claro, portanto, que a cúpula do executivo americano será influenciada pela economia comportamental. Um exemplo simples de política pública dá uma ideia do que significa não assumir racionalidade e tentar criar iniciativas para ajudar as pessoas a tomarem decisões boas para elas, sem abrir mão de sua liberdade. A maioria dos americanos não economiza o suficiente. A reação-padrão desses indivíduos é dizer: “Eu não poupo o suficiente agora, mas vou começar a poupar mais no ano que vem”. Mas o “ano que vem” nunca chega. Richard Thaler, o parceiro de Sunstein, inventou um procedimento para incentivar as pessoas a poupar mais, chamado “Economize mais amanhã”.
Nos Estados Unidos – como também em muitas empresas brasileiras-, empregadores oferecem mecanismos de investimento para seus empregados. Tipicamente, quando o funcionário faz uma contribuição para o plano de previdência, a empresa a iguala, dobrando o valor investido. É um estímulo para aportes crescentes, mas a maioria das pessoas nunca toma a iniciativa de aumentá-los. Pelo sistema de Thaler, quando o empregado busca aconselhamento financeiro na companhia, ouve algo inesperado: “Você não precisa começar a poupar mais já. Não precisa fazer nada agora, exceto concordar com um plano segundo o qual só haverá um incremento no valor da contribuição mensal quando você tiver um aumento de salário. Mas quando seu salário aumentar, sua taxa de poupança será elevada automaticamente, a menos que você peça para não fazê-lo”.
Já há alguns milhões de cidadãos vivendo nos Estados Unidos com esse tipo de plano de previdência. E os efeitos são dramáticos. Um estudo recente mostrou um aumento na taxa de poupança de 3% para 11% dos salários das mesmas pessoas. Politicamente também é perfeito, porque a ideia de liberdade de decisão não é maculada. Ninguém é obrigado a entrar num plano como esse.

Fonte: Época Negócios- out/2009.

Postado por Caroline Beatriz.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NEUROMARKETING

Daniel Kahneman acredita que tanto indivíduos como grupos precisam de mecanismos para revisar constantemente como suas decisões são tomadas. Ele nunca se conformou com o fato de que companhias que passam o tempo todo tomando decisões não mantêm um registro delas. Desse modo, elas não têm como aprender com os próprios erros. Segundo ele, isso não acontece por acidente, mas simplesmente porque os gestores não querem se ver confrontados com equívocos. Kahneman já sugeriu inúmeras vezes, a inúmeras empresas, que indiquem alguém para manter estatísticas das decisões internamente tomadas. Isso permitiria avaliações periódicas dos erros, das previsões equivocadas e dos fatos mal interpretados, de modo a tornar o processo decisório mais racional. Mas nunca viu a sugestão implementada.
Palestrante requisitado, Kahneman tem apresentado a suas plateias uma ideia que tomou emprestada de seu colega Gary Klein, um psicólogo pesquisador do processo de tomada de decisões. Quando um plano estratégico estiver sendo formulado, o gestor deve convocar o grupo de trabalho envolvido para uma rápida reunião, na qual será apresentado o seguinte cenário: estamos um ano no futuro, implementamos nosso plano e o resultado foi um completo desastre. Cada participante deve usar a folha de papel à sua frente para escrever a história do fracasso. Em seguida, o gestor deve recolher as várias anotações e lê-las em voz alta. A ideia, claro, é legitimar o dissenso. Sobretudo em organizações de profissionais competitivos, os participantes do exercício vão se esforçar para identificar buracos na estratégia e mostrar o que poderia sair errado.
Uma coisa sobre a qual a economia comportamental não tem muitos insights é por que os indivíduos diferem uns dos outros. “Podemos entender que as pessoas tomam decisões com o coração de modo consciente com modelos econômicos. Mas não entendemos por que algumas são realmente racionais e outras têm vieses emocionais”, diz Scott Huettel, professor do Centro de Neurociência Cognitiva da Universidade Duke. A boa noticia é que uma das virtudes da neuroeconomia é justamente entender as diferenças entre indivíduos. Compreender, por exemplo, por que o cérebro de um jovem é diferente do de outro jovem e ambos são diferentes do de um adulto mais velho. “Talvez seja possível criar estratégias para abordar essas pessoas com base no que sabemos sobre como elas diferem uma das outras”, diz Huettel. “As empresas vão usar insights da neurociência para mudar o modo como atingem seus consumidores.”
O consultor de empresas Martin Lindstrom, especialista em marcas com clientes como McDonald´s e Microsoft, dedicou um livro (A Lógica do Consumo- Verdades e Mentiras sobre por que Compramos, recém-lançado no Brasil pela editora Nova Fronteira) a mostrar que as estratégias tradicionais de marketing para atrair o interesse do consumidor e estimulá-lo a abrir a carteira não são eficazes. O xis da questão está nas pesquisas de mercado feitas para saber por que os consumidores compram certos produtos, e outros não. Lindstrom usa a neurociência para demonstrar que, mesmo sem mentir, não dizemos toda a verdade nessas pesquisas, já que o processo de decisão envolve menos racionalidade do que pensávamos. A alternativa estaria no que ele chama de neuromarketing.
Você pode até argumentos, de bate-pronto, que o conceito cheira a conversa de marqueteiro. Mas as experiências relatadas no livro são fascinantes. Para testar sua hipótese sobre a relação entre fé, religião e marcas, Lindstrom partiu de um estudo feito em 2006 por dois neurocientistas da Universidade de Montreal, com freiras da ordem das carmelitas enclausuradas. Quinze irmãs, com idades entre 23 e 64 anos, foram submetidas a testes numa daquelas gigantescas máquinas de ressonância magnética funcional. O exame não revelou a existência de nenhuma região específica do cérebro que se ativa quando provocada por pensamentos religiosos. Mas provou que, pelo menos entre pessoas devotas, existem padrões diferentes de atividade cerebral durante pensamentos espirituais e pensamentos sobre seres humanos. Lindstrom viu nessa constatação uma explicação para o sucesso de empresas como a Holy Land Earth, que importam “terra santa” de países como Israel e a Irlanda. Há também um mercado de água-benta.
“Se as pessoas estão dispostas a pagar grandes ou pequenas somas por algumas coisas- como terra e água- que acreditam ter significado religioso ou espiritual, então é claro que espiritualidade e branding estão indissociavelmente ligados”, escreveu Lindstrom. Faltava provar essa ligação cientificamente- tarefa novamente cumprida com um estudo de imagens cerebrais. O objetivo era examinar a força de marcas icônicas, como Ferrari, Guinness e Harley-Davidson. De uma escala de 1 a 10, a maioria dos 65 participantes classificou a própria espiritualidade entre 7 e 10 antes de entrar no aparelho de ressonância magnética funcional do centro londrino de neuroimagem. Lá dentro, todos foram expostos a imagens comerciais e religiosas, alternamente. Um cartão Amarican Express e as contas de um rosário, um Ipod e o papa, Madre Tereza e o logo da Microsoft. O resultado? No caso de marcas fortes, os padrões de atividade cerebral são exatamente os mesmos. Marcas fracas não provocam o mesmo efeito.

Fonte: Época Negócios- out/2009.

Postado por Caroline Beatriz.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ECONOMIA + PSICOLOGIA


Há quem entenda que a economia comportamental foi concebida por Gary Becker nos anos 70. De fato, foi ele quem incorporou definitivamente uma série de lampejos da psicologia à pesquisa econômica. “Mas sempre houve um casamento entre economia e psicologia”, afirma Roberta Muramatsu, professora de economia do Mackenzie e do Insper e estudiosa da neuroeconomia.
A separação entre as duas disciplinas se deu quando os economistas mais matemáticos roubaram a cena dos pensadores, digamos, humanistas. Foi uma decisão provocada pela falta de ferramentas para medir felicidade, satisfação e prazer. Cobrava-se jocosamente dos antecessores de Thaller e Kahneman a construção de um “hedonímetro” capaz de mensurar essas sensações. Sem isso, alegavam seus críticos, não seria possível dar respeitabilidade à economia como ciência. Ali, na virada do século 19 para o 20, entravam em cena os economistas chamados até hoje de neoclássicos.
Em economia, a ideia de que os seres humanos são entes racionais que sempre perseguem seu autointeresse pode ser traçada até os escritos pioneiros de Adam Smith, no século 18. Tornou-se célebre a frase do economista e filósofo, em seu livro A Riqueza das Nações: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos pelo nosso jantar, mas da consideração deles pelo interesse próprio”. A lenta evolução dessa ideia desaguaria na hipótese das expectativas racionais, formulada nos anos 70 por dois economistas da Universidade de Chicago, Robert Lucas e Thomas Sargent. Preconiza que a economia deve ser vista como um sistema mecânico, regido por leis definidas, imutáveis e universalmente entendidas. Na média, as expectativas de todos os agentes do mercado estariam sempre corretas, já que, supostamente, levam em conta toda a informação disponível.
Essa visão permitiu tornar a economia uma disciplina mais científica e gerou modelos matemáticos sofisticados para fazer previsões (em teoria precisas) sobre os preços futuros de ativos como ações, moedas, commodities e imóveis. Levada a extremos nas décadas seguintes, instalou-se nas finanças e deu origem à teoria dos mercados eficientes. Ela pressupõe um modelo bem definido de comportamento econômico seguido por todos os participantes do mercado. Mercado esse que, povoado por pessoas racionais e competitivas, seria sempre o instrumento mais eficiente para estabelecer o melhor valor dos ativos.
O economista Roman Frydman conta que, quando trocou a Polônia pelos Estados Unidos, no final dos anos 60, ficou surpreso ao conhecer as teses econômicas que estavam se consolidando nas universidades do país. “Os americanos achavam que era possível criar modelos matemáticos para explicar de maneira precisa o funcionamento dos mercados”, afirma. Curiosamente, segundo Frydman, essa visão mecanicista e a fé na capacidade de prever matematicamente o comportamento da economia tinham grande semelhança com as hipóteses predominantes nas economias socialistas. A diferença é que o mercado fora colocado no lugar do planejamento central. “Por causa da minha experiência na Polônia, eu sabia que não era possível prever como todos os agentes do mercado tomariam suas decisões, e que criar um modelo tão preciso era impossível. Em 1982, escrevi meu primeiro trabalho sobre o assunto e, desde então, me oponho a essa ideia, mas minha contestação foi amplamente ignorada.”
Vingado pela história, Roman Frydman é um dos raros economistas que, além de críticas, oferece uma teoria alternativa às teses econômicas dominantes. Ela foi batizada de Economia do Conhecimento Imperfeito e transformada num livro de mesmo nome, lançado em 2007. Sua visão contraria o que foi senso comum por 30 anos: os mercados são inerentemente imperfeitos, e as expectativas mudam constantemente, sendo impossível criar um modelo confiável para prever comportamentos e preços futuros. Atenção: Frydman diz que os mercados não são irracionais. O ponto é que as grandes flutuações são parte integrante de como eles funcionam, sendo impossível eliminá-las ou prevê-las com precisão. O máximo que se pode fazer, usando a Economia do Conhecimento Imperfeito, é identificar quando um preço está se comportando fora do padrão histórico e usar essa informação para buscar indicações do que deve acontecer.
Fonte: Época Negócios- Out./2009.
Postado por Caroline Beatriz.

domingo, 8 de novembro de 2009

“ESTAMOS VOLTANDO A SER COMPLACENTES”


Robert Shiller foi um dos poucos economistas a alertar sobre os perigos do subprime nos Estados Unidos. Também foi um dos poucos a criticar colegas de profissão por rezarem pela cartilha da teoria econômica que desembocou na pior crise econômica mundial dos últimos 70 anos. Talvez muitos não tenham ouvido o autor de Exuberância Irracional justamente por ele ser um crítico do pensamento econômico dominante há pelo menos duas décadas. Seu mais recente livro- O Espírito Animal, lançado em outubro no Brasil- parece ter sido escrito para discutir o assunto. No entanto, a obra, que trata da irracionalidade econômica, começou a ser produzida há cinco anos. Nesta entrevista, Shiller discorre sobre o que saiu errado, o que precisa mudar e de seu temor de que as transformações não ocorram.
Mudanças sem fôlego- Provavelmente é correto dizer que os sinais de recuperação da economia estão diminuindo o ímpeto de mudanças. Já estamos voltando a ficar mais complacentes e a dizer que as coisas na economia não eram tão ruins como pensávamos. É um risco. Um dos fatores que continuam a promover as mudanças é a raiva que as pessoas sentem em relação ao que ocorreu, com empresas ricas sendo ajudadas pelo governo. Mas, se veremos grandes mudanças na economia no futuro, vai depender de liderança.
Quanto pior, melhor?- Já ouvi a ideia de que uma crise mais profunda seria melhor, porque conduziria a transformações econômicas necessárias. Não sei, mas nunca iria desejar uma depressão. Não é possível estabelecer uma ligação direta, porém podemos dizer que a Grande Depressão de 1930 foi um fator que contribuiu para a Segunda Guerra Mundial. Foi a raiva gerada pela depressão que levou a outros tipos de conflitos.
Revoluções econômicas- Ainda espero que esta crise vá criar uma revolução no pensamento econômico. Nas últimas décadas, tivemos uma influência exagerada da teoria dos mercados eficientes, da teoria que diz que os mercados são mais espertos que qualquer um. Agora essa visão não parece tão verdadeira e temos de repensar tudo. Depois da Crise de 29, tivemos uma revolução na teoria econômica Keynesiana. De certa forma, perdemos essa revolução e, à medida que os anos passaram, muitos economistas voltaram às formulas antigas. Economia não é como a física, não avança sempre, e a hipótese dos mercados eficientes foi um dos grandes erros na história do pensamento econômico.
Mundo complexo- O comportamento humano é muito complicado e não está bem representado pelos modelos econômicos. É preciso reformular a teoria econômica porque ela não acomoda a realidade muito bem. Essa é uma razão pela qual não vimos a crise chegar.
Nova economia- Campos de estudo como a economia comportamental ou a neuroeconomia estão aqui para ficar. Mas não sei em que velocidade essas novas áreas vão evoluir. Acredito também que várias partes da psicologia, como a cognitiva e a social, vão se tornar especialmente importantes. Até a sociologia poderá ter um renascimento. Em alguma medida, os teóricos econômicos recentes fizeram o mesmo que os antigos físicos gregos, que apenas sentavam e não faziam nenhum experimento. Eles deduziam boa parte da física a partir de suas mentes. Os físicos aprenderam que têm de fazer experimentos. Eu espero que isso esteja gradualmente acontecendo com a economia.
Matemática- Nem tudo o que foi desenvolvido pela teoria econômica recente está errado. Acho que temos melhores ferramentas para lidar com riscos. A economia matemática e a matemática financeira são disciplinas úteis, que se desenvolveram muito. Embora algumas ideias na base dos modelos estejam erradas, vários deles são úteis. O que não se pode fazer é levá-los longe demais. Precisamos entender que mesmo os modelos úteis são imperfeitos e não explicam o que acontece em todos os campos da economia ou do comportamento.
Fonte: Época Negócios- Out./2009.
Postado por Caroline Beatriz.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O PÊNDULO DA ECONOMIA


Teoria econômica oscila há séculos entre crença no racionalismo e aceitação de imperfeições no mercado
1776- o livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, inaugura a escola econômica clássica e descreve o mercado como uma mão invisível que leva os indivíduos a produzirem o bem comum na busca do interesse pessoal. Começa a supremacia do mercado sobre o Estado.
1867- o primeiro tomo de O Capital, de Karl Marx, inicia a crítica ao capitalismo e ao livre mercado. É o marco zero do pensamento socialista marxista.
1871- textos do austríaco Carl Menger e do inglês Stanley Jevons fundam a economia neoclássica, centrada na figura do homem econômico racional e calculista e na concorrência perfeita.
1929- o crash da Bolsa de Nova Iorque dá inicio à Grande Depressão, que, na década seguinte, colocaria em xeque as teorias econômicas neoclássicas aceitas até então.
1936- John Maynard Keynes revoluciona a economia com o livro A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Nasce a escola Keynesiana, que contesta a racionalidade nas decisões econômicas e evoca o “espírito animal” para explicar o comportamento humano.
1962- Milton Friedman publica Capitalismo e Liberdade, onde expõe a visão econômica que contribuiria para o refluxo do keynesianismo, o surgimento do neoliberalismo e a desregulamentação da economia.
1971- o primeiro paper da dupla de psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky é publicado nos EUA. É o marco zero da economia comportamental e do ataque cientifico ao homem racional. Kahneman recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2002.
1972- Robert Lucas, economista da Universidade de Chicago, escreve sobre a “Teoria das expectativas racionais”. O funcionamento do mercado ganha uma explicação elegante, que compara economistas a físicos: a economia seria regida por leis constantes e composta por indivíduos racionais.
1976- Gary Becker, da Universidade de Chicago, publica o artigo “A abordagem econômica do comportamento humano”. A incorporação de idéias da psicologia na pesquisa econômica lhe rendeu o Nobel de 1992.
1980- o economista Richard Thaler publica um texto com as bases do que seria a teoria positiva da escolha do consumidor, incorporando à análise econômica vários insights de Kahneman.
1981- Ronald Reagan assume a presidência dos EUA, dando início a um período de desregulamentação dos mercados que duraria pelo próximo quarto de século. Foi a era da Reaganomics.
2008- A quebra do Lehman Brothers, em setembro, desencadeia a maior crise financeira desde os anos 30. O ex-presidente do Fed Alan Greenspan diz que errou ao confiar na teoria dos mercados eficientes.
Fonte: Época Negócios- out/2009.
Postado por Caroline Beatriz.

sábado, 31 de outubro de 2009

OS SETE ERROS DA COMUNICAÇÃO

Saiba quais são os enganos mais comuns na hora de passar sua mensagem adiante
Como bom workaholic, Neal Patterson, fundador e CEO da Cerner Corporation, era dos primeiros a chegar na empresa e dos últimos a sair. Todos os dias ele se irritava com os estacionamentos dos funcionários vazios antes das 8 e depois das 17 horas. Numa manhã de mau humor em 2001, batucou um e-mail truculento dirigido a 400 executivos da multinacional, com reclamações e ameaças. No dia seguinte o e-mail vazou, assustou investidores e em três dias as ações despencaram 22%. O incidente tornou-se um exemplo clássico das consequências da falta de planejamento nas comunicações internas. Para ajudar gestores a evitarem problemas como esse, Stever Robbins, presidente da empresa de consultoria VentureCoach.com, descreveu em um artigo recente os sete pecados mais comuns na comunicação corporativa. Eis o que os profissionais devem evitar:
Anunciar mudanças sem preparação. Mudanças sempre geram boatos e resistências. Antes de anunciá-las, pesquise onde e por que isso pode acontecer. Ensaie a comunicação. Compartilhe sua visão do cenário das mudanças com os atingidos. Tenha em mente que a comunicação pessoal tem vantagens sobre a escrita e sempre avalie o impacto emocional nos afetados.
Mentir. É natural que alguns tópicos permaneçam confidenciais, mas é preciso ter cuidado com a maneira como os segredos são mantidos. Em vez de mentir, treine-se para dizer “Não tenho a liberdade para comentar isso” ou “Não posso responder isso completamente agora”. A consistência nas respostas é fundamental.
Surpreender-se com a realidade. Não fique surpreso por tomar conhecimento de noticias ruins mais tarde que outras pessoas na empresa. Eis uma lei dos escritórios: quanto mais poder você tem, menos problemas chegam até você. As noticias desagradáveis, aliás, respondem a leis diferentes conforme a direção de propagação. As vindas de baixo são suavizadas. As que saem da cúpula são exageradas. Evite os boatos usando linguagens simples e direta e nunca faça piadas ambíguas.
Subestimar a audiência. É tentador omitir discussões na suposição de que os subalternos não vão entender. Eles podem não ser experts no assunto, mas têm o direito de saber a razão de algo que vai afetá-los. Lembre-se de que faz parte do trabalho de qualquer gestor explicar as coisas para os outros. Além disso, é provável que os subalternos entendam mais do assunto do que se imagina.
Confundir processo com resultados. No estabelecimento de metas, prêmios e avaliações, é comum criar expectativas erradas. Trabalhar duro é um processo. Resultado é o que se atinge. Superiores julgam resultados, não como se chegou lá. Prometer um prêmio pelo trabalho duro é um erro. Por isso, é importante deixar claro o que será ou não premiado.
Canais inapropriados de comunicação. Como exemplifica o erro de Patterson com seu e-mail, é preciso escolher o canal adequado para cada comunicação. Telefonemas e reuniões cara a cara são mais eficientes para lidar com questões que têm nuances e sutilezas.
Subestimar as omissões. O que você não diz muitas vezes pode ser mais estridente que todos os tópicos de sua mensagem. Se você não elogia, as pessoas se julgam desapreciadas. Se não explica, podem achar que não são de confiança. Por isso, nunca é demais perguntar: “Que mensagens vocês estão recebendo de mim?”.
Comunicação errada corrói o moral dos empregados, desestimula a produtividade e pode tornar o ambiente de trabalho insuportável. Nada mais apropriado, portanto, do que evitar esses equívocos.

Fonte: Época Negócios- out/2009.


Postado por Caroline Beatriz.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

DA PEDRA À TELA


A evolução tecnológica das bolsas do Brasil em 119 anos
1890. É criada a Bolsa Livre, precursora da Bovespa. As cotações são anotadas a giz em lousas de pedra.
1934. Implantação da rede de ramais interna da bolsa. Os telefones do tipo castiçal pertenciam aos corretores oficiais.
1968. Com a chegada do telex, a Bovespa passa a publicar todos os dias as cotações da bolsa do Rio de Janeiro.
1970. Boletos de compra e venda são trocados por cartões perfurados, lidos em seis postos do pregão.
1972. Com o pregão automatizado, a bolsa fornece informações online para uma rede de terminais de computador.
1976. Terminais de cotações ligados às corretoras permitem que o pregão seja acompanhado em tempo real.
1983. É inaugurado o sistema de telefonia sem fio de altíssima frequência com os famosos telefones vermelhos.
1986. Início dos pregões da Bolsa Mercantil & de Futuros (BM&F), apenas com negociação viva voz.
1990. Primeiro pregão eletrônico da Bovespa, com a aquisição de um sistema da bolsa de Toronto.
1999. Lançamento do Home Broker, que possibilita ao investidor transmitir ordens direto de seu PC.
2000. Lançamento do pregão eletrônico da BM&F, com o GTS (Global Trading System).
2005. Extinta a negociação viva voz na Bovespa. Todas as operações passam a ser eletrônicas.
2009. Acaba o viva voz na BM&F, que passa a alugar espaço para investidores em sua rede.
Fonte: Época Negócios – out/2009.
Postado por Caroline Beatriz.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

INOVAÇÃO PÓS-CRISE


O pior já passou. Agora, na retomada da crise econômica, as empresas têm grandes oportunidades para se tornar mais eficazes. “O veneno que não te mata te faz mais forte”, afirma o americano Mark George, líder global de processos e inovação da consultoria Accenture. Com sete anos de experiência em apoio técnico e operacional a grandes multinacionais, George diz que este é o momento certo para eliminar as ineficiências e afinar os projetos. Quer saber como? Confira, a seguir, as dicas do especialista.

Um novo consumidor.
Com a ascensão da base da pirâmide, o consumidor dos mercados emergentes tem se sofisticado. Hoje, ele quer mais produtos e serviços e um leque maior de possibilidades. É preciso rapidamente transformar esse desejo num produto viável. A inovação precisa ser acelerada. As companhias que falharem nesse processo não serão líderes. São os inovadores que aproveitam as melhores margens. Portanto, o foco em inovação e nos serviços voltados aos clientes deve ser acentuado.
   Sem parar.
  As empresas devem manter uma visão de curto e de longo prazos. A de curto é para sobreviver, mas não impede a inovação. Hoje é mais difícil alocar uma parte grande de orçamento para novos produtos. É preciso fazê-lo de maneira eficiente e prudente.
   Mais complexidade.
  Depois da crise, a segunda maior preocupação dos CEOs no mundo é uma execução eficiente. Faz sentido, porque os processos para entender o consumidor tornam-se cada vez mais complexos e caros. “Se uma companhia é ágil, pode lidar com cada vez mais complexidade”, diz George. “Mas se é lenta, a cada novo produto o impacto no nível de complexidade aumenta de forma exponencial”.
  O verde é o novo preto.
  Há uma concepção errada de que o interesse do acionista e a responsabilidade social são coisas contraditórias. Grandes líderes sabem que sustentabilidade pode ser vantagem competitiva. A ex-CEO da Xerox Anne Mulcahy disse certa vez que a empresa inova em sustentabilidade desde 1964. “Fomos os primeiros a inventar uma copiadora que imprime dos dois lados do papel”, disse Anne. A história é exemplo de que uma prática sustentável pode ser um bom negócio. “O verde é hoje o novo preto”, diz George.
   Bons Custos.
  Corte de custos? Faça com critério. Existem os bons e os maus custos. Os bons criam valor e são reconhecidos pelo cliente. “Quando se entende o que ganha o coração do cliente, é possível cortar desperdícios e coisas supérfluas”, diz Mark George.

Fonte: Época Negócios – out/ 2009.
Postado por Caroline Beatriz.